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1º e 2º edições

PROJETO CAPILARIDADE

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"Os revolucionários da antiguidade preconizavam a reforma agrária e a partilha das terras. Os da era industrial visavam a propriedade dos meios de produção. Hoje, é sobre o conhecimento que repousam a riqueza das nações e a força das empresas. … por suas competências que os indivíduos adquirem um reconhecimento social, um emprego, uma cidadania real". (Pierre Lévy e Michel Authier)

MÓDULO 1: 25 jovens em situação de risco social da ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DA VILA CRUZEIRO DO SUL- Rua D. Otília 165 CEP 90830-510 Porto Alegre. A Vila Cruzeiro do Sul que está inserida numa grande região da zona sul de Porto Alegre. A faixa etária será preferencialmente de 16 a 21 anos. Na região está concentrada 4,7% da população da cidade num total de 59.231 habitantes. Desta população 19.200 são crianças e adolescentes entre 0 e 14 anos de idade. 37.000 pessoas situam-se na faixa etária de 15 a 64 anos. 26% de meninos e meninas de rua de Porto Alegre e 10% de analfabetismo de jovens e adultos são desta região. Trata-se, portanto, de população com um elevado índice de exclusão social.

MÓDULO 2: 50 jovens em situação de risco social do Morro da Cruz e adjacências. O projeto está sendo desenvolvido no Centro Profissional Murialdo que começa a se tornar uma referência em termos de profissionalização de jovens excluidos. Rua Vidal de Negreiros 443- Porto Alegre. Este é um bairro de grande concentração de miséria e alto índice de desemprego. DADOS SOBRE A R.E.D.E: - ONG DO NOVO MUNDO DO TRABALHO - Entidade responsável pela autoria e execução técnica do projeto. A R.E.D.E. é uma Organização não-Governamental de pesquisa e intervenção social. Ela foi criada num contexto de aumento de desemprego e exclusão social e se propõe a desenvolver projetos de formação de trabalhadores para um novo paradigma produtivo e novas condições sociais. A R.E.D.E. vem se impondo na sociedade pelo seu trabalho de formação com jovens em situação de risco social através de pesquisa-ação cujo centro gira em torno do uso das novas tecnologias (informática e telemática) de forma emancipatÛria e potencializadora da inteligência e do crescimento pessoal. A R.E.D.E. , com isto, vem construindo um referencial teÛrico inovador que tÍm apresentado resultados significativos que apontam para uma alternativa concreta para a formação profissional/pessoal. Parceria: PROCEMPA (Companhia de Processamento de Dados do Município de Porto Alegre), AMOVICS (Associação dos Moradores da Vila Cruzeiro do Sul, Associação Protetora da Inf‚ncia (Murialdo) e Comunidade Solidária. RESUMO DA PROPOSTA DE CAPACITAÇÃO: Estamos propondo aqui formas concretas e sistemáticas de instrumentalizar os jovens da Vila Cruzeiro e Morro da Cruz para o novo mundo do trabalho, para o novo contexto cultural e, portanto, para o exercício efetivo da cidadania. A informática neste projeto não se reduzirá a uma aprendizagem formal de comandos mas servirá de suporte para a construção de conhecimento e o desenvolvimento de um início de profissionalização. A informática será, portanto, o eixo de toda a proposta de capacitação. O que pretendemos, é usar o computador para potencializar a inteligência destes jovens através dos recursos que este instrumento possui de interação, de simulação, etc. onde o aluno torna-se sujeito de sua prÛpria aprendizagem. A partir deste trabalho pretendemos chegar a atividades diretamente relacionadas com o mercado de trabalho imediato: reciclagem de equipamentos eletrônicos usados, elaboração de home pages e editoriação eletrônica. . JUSTIFICATIVAS E QUADRO TEÓRICO - Por que usar o computador como eixo de toda a proposta num trabalho com adolescentes em situação de risco social? A escola e a cultura tradicionais são baseadas numa fragmentação do ser humano dificultando com isto o desenvolvimento da inteligência e a construção do conhecimento. Vamos, então, buscar em estudos recentes da psicologia, da epistemologia, da biologia e da prÛpria informática elementos para pensarmos na integração das várias dimensões do ser humano. Em primeiro lugar, o sujeito que aprende usando o computador sente-se parte do sistema, age sobre uma realidade e acompanha seu prÛprio processo de pensamento apropriando-se dele, tornando-se assim, sujeito de sua prÛpria aprendizagem. Aprendemos com Piaget que para construir conhecimento é preciso agir sobre o real. A realidade virtual nos permite esta ação com muito maior plasticidade porque podemos simbolizar e assim criar potencializando nossas capacidades. Estes sujeitos estão seriamente atingidos na sua capacidade de simbolizar, de criar e com sérios problemas de auto-estima. Por isso tudo, desenvolveremos atividades que integrem estas dimensões e, a partir daí, cada pessoa pode resgatar suas capacidades afetivas e, portanto, cognitivas. Nossa preocupação fundamental é com a formação e, portanto, com a construção de conhecimento. Já sabemos que conhecimento não se transmite mas é construido pelo sujeito num processo que envolve todo o seu ser. … por isso que faz parte integrante das atividades, o reapreender nossa corporalidade, o desenvolvimento da sensibilização, a narratologia (falar contando suas histÛrias de vida). Esta abordagem é defendida por McLaren (1995). As questões da saúde, drogas e outras também são parte integrante do projeto. Apesar de tudo, as escolas e instituições encarregadas de formação profissonal insistem em fazer treinamentos, o que se constitue em impedimento de desenvolvimento. As novas formas de produção baseadas na microeletrônica necessitam trabalhadores flexíveis, autonômos, que saibam tomar iniciativas e buscar informações sempre renovadas, polifuncionais, capazes de trabalhar em equipe, competentes para lidar com símbolos, etc. Por outro lado, o desemprego no país é muito alto e as regiões onde se desenvolvem o projeto não escapa aos índices preocupantes do que não tem emprego exigindo uma ação urgente do governo e comunidade para encontrar outras alternativas econômicas. A situação dos jovens é alarmante: as condições para chegar ao primeiro emprego são cada vez mais difíceis e esta dificuldade aumenta na medida em que estes jovens não estão sendo preparados para o novo mundo do trabalho. As condições do contexto destas comunidades são tão adversas e limitadoras que sem intervenções competentes e urgentes não restará para estes jovens outro caminho a não ser o do delito. O novo contexto social também necessita de maior participação para a construção de um novo espaço público. Ora, todas estas necessidades acima descritas não se adquirem de forma alguma, com treinamentos ou com rigidez de formação. Os estudos e as experiências estão nos mostrando que o ensino que usa o computador de forma criativa pode levar ao desenvolvimento destas capacidades. O espaço virtual do computador, ao proporcionar o trabalho por capacidades através da simulação, interação, exploração e representação din‚mica da informação e muitas outras formas tem se mostrado muito útil para o desenvolvimento dos seres humanos que tÍm se envolvido neste tipo de experiência. FINALIDADES E OBJETIVOS - Proporcionar a estes sujeitos um espaço de relação que articule profundamente o desenvolvimento pessoal com o desenvolvimento profissional ao qual eles não tÍm acesso. Além de termos como horizonte prÛximo inserí-los no contexto social e no mercado de trabalho visamos agregar valores humanos fundamentais às suas vidas. - manejar softwares e introduzir noções básicas de manutenção de equipamentos eletrônicos, editoriação eletrônica e elaboração de home pages; - desenvolver capacidades fundamentais para as novas formas de produção tais como flexibilidade, simbolização, simulação, trabalho em equipe, polifuncionalidade, organização estratégica, etc. - aprender a navegar na Internet valorizando a busca de informações potencializando a construção do conhecimento; - despertar nas famílias e vizinhos o interesse para o espaço cibernético como parte integrante de suas vidas através do qual possam expressar seus interesses e desenvolver suas capacidades; - ampliar as formas de participação da comunidade nos espaços de decisão das políticas públicas.

BIBLIOGRAFIA:

EXPELETA, Justa e ROCKWELL, Elsie.Pesquisa Participante. são Paulo, Cortez, 1995. GUATTARI, Félix. Caosmose. Rio de Janeiro, E. 34, 1992. L…VY, Pierre. As tecnologias da inteligência.. Rio de Janeiro, 34, 1994. --------- O que é o virtual? Rio de Janeiro, 34, 1996. L…VY, Pierre e AUTHIER, MICHEL. As árvores de conhecimento. são Paulo, Escuta, 1995. LOJKINE, Jean. A revolução informacional. são Paulo, Cortez, 1995. MCLAREN, Peter. Critical Pedagogy and Predatory Culture. London and New York, Routledge, 1995. MATURANA, H. E VARELA, F. El árbol del conocimiento. Santiago, Universitária, 1990. MATURANA, H. Emociones y lenguaje en educacion y politica.. Santiago, Hachette, 1991. PIAGET, Jean. Epistemologia Genética. são Paulo, Abril, 1983. PAPERT, Seymour. A Máquina das crianças. Porto Alegre, Artes Médicas,1994. PASTR…, Pierre. Requalification des ouvriers spécialisés et didactique Professionelle. In: Revue Education Permanente. Paris, 1992, n.111 pp.