MANIFESTO DE FUNDAÇÃO

REDE

A partir dos anos 70, uma profunda crise econômica levou à reestruturação da economia e do Estado. Esta remodelação foi impetrada de forma autoritária por grupos que detinham o poder econômico no mundo. A sociedade civil e os trabalhadores ficaram de fora. Começavam a ruir as políticas sociais e a economia é racionalizada através de mecanismo poupadores de mão-de-obra.. Surge o desemprego estrutural.

A globalização da economia e o modelo neoliberal que surgem desta remodelização, por priorizar o desenvolvimento econômico sem a preocupação com o desenvolvimento social correspondente, está levando à miséria, ao desespero e à violência não somente nos países em desenvolvimento como no interior dos países desenvolvidos. O crescimento econômico não resulta, de forma automática, em uma sociedade mais justa e, muito menos, em qualidade de vida. Este é um processo de construção que necessita a colaboração de todos.

A profunda exclusão que cresce com o novo modelo, se sustenta em mecanismos ideológicos cada vez mais refinados para garantir a concentração de riqueza e de poder. Estes mecanismos incentivam o hiperindividualismo, desestimulam a solidariedade, restringindo o espaço público. A democracia está em declínio em todo o mundo enquanto uma minoria assume, cada vez mais o poder global.

No Brasil, o momento histórico no governo, adapta brutalmente o país à nova (des)ordem global. O presidente, imune à situação de hecatombe social, fala dos trabalhadores de forma arrogante e usa somas consideráveis de dinheiro do erário público para salvar bancos falidos enquanto que, estes recursos poderiam salvar milhões de seres humanos da fome, do desemprego e da marginalidade.

Esta é uma situação de desespero social, de violação flagrante de direitos humanos fundamentais, de abandono das políticas públicas, com taxas inéditas de desemprego. Em meio à insatisfação geral, plano agride os trabalhadores lançando um plano de desemprego que, segundo Betinho, "... É um desrespeito à opinião pública" (1)

Diante de tudo isso, decidimos fazer a nossa parte: criar uma instituição de apoio aos esforços da sociedade civil já mobilizada . Nossos objetivos, que giram em torno do eixo das questões do novo mundo do trabalho, podem ser resumidos de maneira simplificada no seguinte:

- ajudar a restaurar a dignidade do trabalhador oportunizando situações nas quais ele possa dizer a sua palavra;

- criar estratégias pedagógicas para a apropriação do espaço cibernético para que, através dele, o trabalhador possa desenvolver-se mais plenamente:

- ampliar o espaço público para maior participação da sociedade civil nas instâncias do Estado e outras. Este espaço pode ser ampliado e potencializado pela transformando-se em verdadeiras "ágoras virtuais". Nesta rede as pessoas podem controlar as atividades do Estado e opinar:

- elaborar e propor políticas através de ações concretas que incidam diretamente nas grandes necessidades sociais;

- assessorar movimentos sociais em suas lutas emancipatórias e de simples sobrevivência.

- capacitar trabalhadores para as novas formas de produção articulando competência técnica com competência social/pessoal.

- pesquisas

Com estes objetivos criamos a REDE, que é uma Organização não governamental (ONG) cujos esforços somente serão eficientes se forem articulados com os mais diferentes segmentos da sociedade civil que vierem a se juntar a nós numa verdadeira REDE de solidariedade . O nome de nossa ONG não foi por acaso. Hoje o paradigma é a rede. Não há uma realidade a priori. Tudo é relação. A nova Biologia, em harmonia com o novo paradigma, está mostrando que o amor é fundamental para a construção do conhecimento, do sujeito e da realidade.

O apelo à solidariedade não é uma esperança vazia. Na sociedade do conhecimento nossas ações concretas podem levar a políticas que viabilizem um desenvolvimento sustentável para o país cujos frutos poderão ser melhor distribuidos, criando-se assim, uma sociedade mais justa que tenha um sentido para nossas vidas.

Se o ser humano é um ser de relações: consigo mesmo, com os outros e com a natureza, a luta de "todos contra todos" somente leva à desagregação da sociedade e de cada um de nós. Por outro lado, a busca crescente da integração pode criar a sinergia que nos dará força para a construção de uma outra realidade.

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(1) Zero Hora , 4 de maio de 1996.

-ESTRUTURA DA ONG:

1. Ação

Produtos: Educação básica dos trabalhadores- elaboração, execução e acompanhamento de projetos que visem complementar a educação básica dos trabalhadores dentro da empresas ou em outros espaços usando para isso um quadro referencial que articulem o saber-fazer com o fazer e o fazer-se.

- Apropriação do espaço cibernético com o desenvolvimento de metodologia didática baseada nos princípios da Informática educativa mas transposta para a realidade do trabalho com o grande objetivo de potencializar a inteligência através da ação sobre a realidade virtual. Isto será feito em diferentes situações

- com cursos de alfabetização informática

- através de diferentes cursos de capacitação para as novas formas de produção (Automação industrial).

- Capacitação para gerenciamento de recursos naturais e gestões participativa em poder local.

-Assessoramento a movimento sindicais

- Assessoramento à empresas sobre novas formas de gestão e produção em termos de contemplar as novas necessidade de construção de conhecimento e formação permanente.

- Cursos sobre Saúde do Trabalhador:

- Assessoramento sobre saúde do trabalhador para políticas públicas, empresas e movimentos sociais.

- Assessoramento sobre direitos humanos e questões ligadas à violência.

 

2. Pesquisa

Para alimentar nossas práticas de modo a dar consistência às mesmas desenvolveremos permanente algumas linhas de pesquisa relacionadas com os temas de nossas ações. Incialmente são três as linhas de pesquisa que estamos desenvolvendo: as questões ligadas à automação industrial, a instrumentalização da voz do trabalhador e didática profissional.

MEMBROS FUNDADORES:

Nize Maria Campos Pellanda

Izabel Azevedo

Karla Demoly

Letícia Schabbach

Flavia Rieth

Angela Wortmann

Angela Freitas

Kéia Leão

Fernanda Corezola

Virginia Feix

 

 

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